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Dia dos Professores: ensinar é transformar vidas, construir sonhos e promover justiça social
15 de outubro de 2026 · por Alisson Silva Garcia
Há profissões que transformam a realidade. Outras constroem o futuro. A docência consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Neste 15 de outubro, o Dia dos Professores me convida a uma reflexão que é, ao mesmo tempo, pessoal e coletiva. Antes de pensar na educação como direito ou como instrumento de justiça social, penso nas pessoas que tornam esse direito possível. Na minha família, essa reflexão tem nomes: minha mãe, Almira Silva Garcia; minha esposa, Josiane Breda Garcia; e minha irmã, Joyce Garcia Marques.
Sou filho, marido e irmão de professoras. Também exerci a docência. Essas experiências me fazem olhar para o ensino não apenas como atividade profissional, mas como responsabilidade humana: reconhecer no outro a capacidade de aprender, crescer e participar da construção de uma sociedade mais justa.
Almira Silva Garcia: uma homenagem à memória e ao legado
Minha mãe, a professora Almira Silva Garcia, já faleceu. Neste Dia dos Professores, homenagear sua memória é reconhecer que a presença de uma mãe não se encerra com sua ausência física. Permanece no afeto, nos valores e na maneira como seus filhos compreendem a vida.
Ao lembrar dela como professora, penso na grandeza de uma profissão cujo resultado não cabe inteiramente em relatórios ou avaliações. O conhecimento compartilhado pode acompanhar uma pessoa por toda a vida. Uma oportunidade de aprender pode abrir caminhos que, antes, pareciam impossíveis.
Não preciso atribuir à sua história episódios que não foram aqui narrados para expressar minha gratidão. Ser seu filho e reconhecer sua dedicação à docência são razões suficientes para esta homenagem. Sua memória ocupa um lugar especial na minha compreensão do valor da educação e do respeito devido a quem ensina.
Josiane Breda Garcia e Joyce Garcia Marques: a vocação de ensinar permanece viva
Minha esposa, Josiane Breda Garcia, e minha irmã, Joyce Garcia Marques, também são professoras. A elas, dirijo meu reconhecimento pela dedicação a uma missão que exige conhecimento, sensibilidade e compromisso. Ensinar envolve pessoas, com diferentes necessidades, possibilidades e formas de compreender o mundo.
Como marido, reconheço em Josiane Breda Garcia a importância dessa escolha profissional e a responsabilidade que ela carrega. Como irmão, vejo em Joyce Garcia Marques a continuidade, em nossa família, de uma vocação que merece respeito. Minha homenagem a ambas é também uma homenagem às professoras que sustentam, diariamente, o encontro entre educação e esperança.
Valorizar essa dedicação não significa idealizar a profissão nem exigir sacrifícios ilimitados. Professores precisam de reconhecimento concreto, condições adequadas de trabalho e respeito. O afeto que expressamos nesta data deve caminhar ao lado desse compromisso.
Também exerci a docência: ensinar é assumir uma responsabilidade
Ter exercido a docência me permite reconhecer a responsabilidade de ocupar o lugar de quem ensina. Transmitir informações é apenas uma parte dessa tarefa. Há também o compromisso de estimular perguntas, acolher dúvidas e favorecer a autonomia de quem aprende.
O professor não constrói o futuro sozinho, mas participa de sua construção. Quando o ensino amplia a capacidade de compreender a realidade, oferece também instrumentos para transformá-la. Aprender permite formular escolhas, reconhecer direitos e imaginar possibilidades que ultrapassam as limitações do presente.
Educação, igualdade racial e igualdade de gênero
Falar em transformação pela educação exige enfrentar as desigualdades que atravessam a sociedade. O acesso à escola, a permanência e as condições de aprendizagem não podem depender da origem racial, do gênero ou da condição econômica de uma pessoa.
Uma educação comprometida com a justiça social combate o racismo, questiona estereótipos de gênero e reconhece a dignidade de cada estudante. Isso envolve tanto o conteúdo ensinado quanto as relações construídas nos espaços educativos. Respeito e igualdade precisam ser vividos, não apenas mencionados.
Promover igualdade não é ignorar diferenças. É reconhecer obstáculos e criar condições para que ninguém tenha suas possibilidades reduzidas por preconceitos. Nesse caminho, a docência tem papel fundamental, embora essa responsabilidade deva ser compartilhada com o Estado, as famílias e a sociedade.
O direito à educação e a valorização de quem ensina
O art. 205 da Constituição Federal estabelece que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Sua finalidade inclui o pleno desenvolvimento da pessoa, o preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.
Já o art. 206, inciso V, da Constituição Federal prevê a valorização dos profissionais da educação escolar, com garantias relativas aos planos de carreira e ao ingresso nas redes públicas, nos termos ali estabelecidos. A mensagem é clara: proteger a educação exige valorizar quem a realiza.
Neste Dia dos Professores, minha gratidão à memória de minha mãe, à minha esposa e à minha irmã se une ao reconhecimento de todos os docentes. Que a homenagem se traduza em respeito, oportunidades e compromisso permanente com a educação.
Ser filho de professora é motivo de orgulho. Ser casado com uma professora é compartilhar essa missão. Ser irmão de uma professora é reconhecer que a vocação de ensinar permanece viva em nossa família.
Feliz Dia dos Professores!
Alisson Silva Garcia
OAB/SP 338.984
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