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A Urgência da Diversidade nas Indicações aos Tribunais Superiores

21 de outubro de 2025 · por Alisson Garcia

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Em um país plural como o Brasil, a representatividade não é apenas um ideal abstrato — é uma exigência democrática. Quando falamos da composição dos Tribunais Superiores, estamos tratando do coração da Justiça, onde se consolidam interpretações que orientam a vida de milhões de brasileiros. É nesse espaço que se faz necessário, de forma inadiável, o olhar diverso de pessoas negras, indígenas e mulheres.

A ausência desses grupos em cargos de cúpula do Judiciário não é coincidência, mas reflexo de uma estrutura histórica que ainda limita o acesso de determinados segmentos da sociedade aos espaços de poder. Enquanto isso, seguimos repetindo um ciclo em que a elite jurídica, majoritariamente branca e masculina, perpetua sua própria representatividade.

O recente debate sobre a indicação de nomes para os Tribunais Superiores evidenciou um problema estrutural: quando se diz que “não há pessoas de confiança” com tais características, o que se revela, na verdade, é o quanto o poder ainda circula em círculos restritos. Essa lógica exclui vozes potentes — negras, indígenas, femininas — que há décadas constroem carreiras sólidas, éticas e competentes, mas que permanecem invisibilizadas por uma cultura que confunde “proximidade” com “mérito”.

O Brasil tem inúmeros exemplos de juristas negros, indígenas e mulheres com profundo conhecimento técnico e notável compromisso com a Constituição e os direitos humanos. Muitos desses profissionais ocupam posições relevantes na advocacia, na magistratura, no Ministério Público e na academia. Reconhecê-los e indicá-los é não apenas um ato de justiça histórica, mas também uma decisão estratégica para o fortalecimento das instituições democráticas.

A diversidade na composição dos tribunais não é mero simbolismo — é um fator que enriquece o debate jurídico e aproxima o Poder Judiciário da sociedade que ele serve. Um tribunal plural enxerga mais longe, interpreta com mais sensibilidade e julga com mais humanidade.

O momento é de coragem institucional. É hora de romper com a lógica do “quem indica” e inaugurar uma nova fase, em que a confiança se baseie na competência, na trajetória e no compromisso com a equidade. O Brasil precisa — e merece — um Judiciário que reflita a sua verdadeira face: múltipla, rica e diversa.

Alisson Silva Garcia

Advogado e mestre em criminologia forense

Alisson Silva Garcia
Advogado – OAB/SP
Especialista em Direito Penal, Direito Civil e Direito de Família.
Mestre em Criminologia Forense.
Relator do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP.

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